sexta-feira, 21 de novembro de 2014

SOFRER


Ama, vive, chora e teme.
Mas não teme o mal ou a Deus,
Teme a não realização dos sonhos teus;
Teme a mediocridade e a sede,
Ou o teu vazio, que por dentro te aniquila.
O medo que sente todos os dias,
Durante o silêncio,
É o medo desta vida
E das tuas tendências sombrias.

Vive-se a vida sofrendo:
Seja real ou antecipadamente;
Porque o Homem adora sofrer,
Adora punir-se sadicamente.
Ele acha-se culpado, indigno,
Sujo pelo amor  à riqueza e ao poder.
Mas, homem! Tu que nesta vida vive,
Não pode ser humano sem ser homem.

*AlexMaciel

MALDADE


De erros e de tristezas
Cheia a vida é.
Nós, humanos, com nossas fraquezas,
Tentamos a salvação pela fé.
Mas, a verdade, a dura verdade
É que por mais que clame piedade
O homem, sempre será imperfeito.
E nem sua fé ou seus feitos,
Que ecoam pelas gerações, o salvam:
Há mais maldade do que bondade
Nos nossos corações.

Resta-nos uma esperança,
Aquela que nos vem da divina herança:
Um pai, que ama seu filho,
Sabendo-o um seu,
Não o puniria no eterno exílio,
Pois o amor é o próprio Deus.

*AlexMaciel

CIDADE


Escura, sombria, baixa, vazia.
Cheia de vida, luz, riso, magia.
Sem cessar... noite e dia, noite e dia.

Os homens, os animais, o amor, a alegria,
A dor, a solidão, a fuligem, a vida,
Os arranhas-céus, os atos, os fatos;
O Limpo, o puro, o belo,
Os becos, a baixaria, o sórdido, a apatia.
O sofrimento que invade, o crime, o sexo,
Os dramas que arrastam,
Sempre... noite e dia, noite e dia.

Linda, bela, pura cidade,
Centenária cidade!
Tu pulsas, tu é a vida!
Um organismo vivo, eterno,
Sem mudar... noite e dia, noite e dia.

Numa sinfonia feroz, selvagem,
Numa guerra interna, sangrenta, sem fim.
Procurando a purificação, a alegria,
A harmonia dos iguais.
Até o fim... noite e dia, noite e dia.

*AlexMaciel